Crônica: O Rei do Egito que conquistou a Inglaterra

Salah foi eleito o quarto maior jogador da história do Liverpool, em campanha promovida pelo clube | Foto: Peter Byrne/PA via AP

Mohamed Salah anunciou ainda em março deste ano que deixaria o Liverpool, clube onde atuava desde o meio de 2017. No domingo, dia 24 de maio, a hora da despedida chegou.

Anfield Road estava lotado, como sempre. Antes do início da partida, a torcida entoou a emocionante canção ‘You’ll Never Walk Alone”. Era visível no rosto de Salah o quão difícil será para ele deixar tudo isto.

Ao fim da música, um abraço, representado pela emoção nos rostos de torcedores e ídolo. Poderia durar pra sempre.

Não contavam, entretanto, com a audácia de Andy Madley, que apitou o início da partida entre Liverpool e Brentford. A cerimônia de despedida estava marcada para após o jogo e, sem culpa alguma, o árbitro não quis que antecipassem as coisas.

Sucederam o maldito estalo do apito, 90 minutos de futebol. Desnecessários, que apenas lembraram o quão mal jogaram os Reds durante a temporada 2025/26.

Quem apareceu para salvar o dia foi o mesmo herói dos últimos nove anos. 

‘Mo Salah, correndo pelas pontas’ como diz a canção da torcida para o egípcio, aparece livre no corredor direito e com uma trivela teleguiada para a área, deixa Curtis Jones livre para fazer o gol que garantiu a classificação para a Liga dos Campeões.

O empate do Brentford, pouco tempo depois, não afetou a torcida, ainda deslumbrada por ter testemunhado a última assistência de Salah vestindo a camisa do Liverpool. A hora da despedida realmente chegou.

Aos 74 minutos, o egípcio foi substituído e aplaudido de pé. Não poderia ser diferente.

Nove anos atrás, o Rei do Egito chegava, vindo de Roma. Junto á Jurgen Klopp, Mané, Firmino, Robertson, Alisson, Van Dijk e tantos outros, transformou os torcedores que duvidavam em sonhadores.

Em Liverpool, Salah foi artilheiro, garçom, carrasco dos rivais, subestimado, decisivo, vitorioso, esforçado e político. Foram 443 jogos, 257 gols, 120 assistências, 2 títulos da liga inglesa e 1 Liga dos Campeões.

Quando finalmente, ou infelizmente, Andy Madley soprou o apito final, ‘Moh’ recebeu a sua merecida homenagem. Enfim, deixou os gramados de Anfield pela última vez, com a certeza de que nunca mais caminhará sozinho.

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