Depois de anos transformando traumas, recaídas, recomeços e conflitos pessoais em música, Demi Lovato decidiu fazer algo diferente: simplesmente se permitir ser feliz. O resultado é It’s Not That Deep, seu nono álbum de estúdio, lançado em 2025, um trabalho que abandona parte da carga emocional que marcou seus projetos anteriores para abraçar um pop leve, divertido e surpreendentemente maduro.
Ao longo da última década, a cantora construiu uma carreira baseada em vulnerabilidade. Álbuns como Tell Me You Love Me, Dancing With The Devil… The Art of Starting Over e até o rock de HOLY FVCK nasceram de momentos turbulentos de sua vida. Em It’s Not That Deep, pela primeira vez em muito tempo, Demi não parece estar tentando sobreviver. Ela parece estar celebrando.
Essa sensação atravessa todo o álbum. Faixas como Fast e Frequency apostam em refrões envolventes e produção dançante, enquanto músicas como Here All Night e Ghost mostram que a cantora continua sabendo equilibrar emoção e acessibilidade. Mesmo quando aborda relacionamentos amorosos, o disco evita o drama excessivo e aposta em uma visão mais leve dos afetos.
Um dos maiores acertos do álbum está justamente em sua coerência. Em uma era em que muitos artistas parecem obcecados por criar conceitos grandiosos ou álbuns excessivamente complexos, Demi entrega um projeto que sabe exatamente o que quer ser. Não há a pretensão de reinventar o pop nem de lançar um manifesto geracional. O objetivo é claro: produzir músicas que façam o público se sentir bem. E nisso o álbum é extremamente eficiente.
Outro ponto que merece destaque é a performance vocal da cantora. Mesmo após quase duas décadas de carreira, Demi continua sendo uma das vocalistas mais impressionantes do pop contemporâneo. Sua voz carrega potência, técnica e personalidade suficientes para elevar faixas que, nas mãos de outros artistas, poderiam soar comuns. Em It’s Not That Deep, ela demonstra maturidade ao entender que não precisa provar seu talento a cada música. Quando decide brilhar, brilha. Quando a canção pede contenção, ela entrega exatamente isso.
A recepção da crítica especializada reforça essa percepção. O álbum conquistou avaliações positivas em veículos importantes e alcançou uma das melhores médias da carreira da cantora no Metacritic, sendo elogiado por sua autenticidade e pela capacidade de transformar felicidade em material artístico relevante. Publicações como The Independent e The Standard destacaram justamente a maneira como Demi consegue transmitir emoção sem depender exclusivamente de narrativas de sofrimento.
É verdade que o disco não possui a profundidade emocional de alguns de seus trabalhos anteriores. As letras são mais simples e menos confessionais, algo que parte dos ouvintes pode interpretar como uma limitação. No entanto, reduzir o álbum a essa característica seria ignorar sua principal proposta. It’s Not That Deep não tenta ser um relato de dor ou um exercício de introspecção. É um disco sobre liberdade, estabilidade e autoconfiança.
Talvez por isso ele funcione tão bem.
Em uma indústria que frequentemente transforma sofrimento em requisito para legitimidade artística, Demi Lovato faz o caminho oposto. Ela mostra que também existe valor em cantar sobre felicidade, amor e paz interior. E faz isso sem soar artificial ou desconectada da própria trajetória.
It’s Not That Deep provavelmente não será lembrado como o álbum mais revolucionário da carreira de Demi Lovato. Mas pode acabar sendo um dos mais importantes. Afinal, depois de tantos anos usando a música para enfrentar seus demônios, vê-la finalmente se divertir novamente é, por si só, uma conquista que merece ser celebrada.
Ao longo da última década, a cantora construiu uma carreira baseada em vulnerabilidade. Álbuns como Tell Me You Love Me, Dancing With The Devil… The Art of Starting Over e até o rock de HOLY FVCK nasceram de momentos turbulentos de sua vida. Em It’s Not That Deep, pela primeira vez em muito tempo, Demi não parece estar tentando sobreviver. Ela parece estar celebrando.
Essa sensação atravessa todo o álbum. Faixas como Fast e Frequency apostam em refrões envolventes e produção dançante, enquanto músicas como Here All Night e Ghost mostram que a cantora continua sabendo equilibrar emoção e acessibilidade. Mesmo quando aborda relacionamentos amorosos, o disco evita o drama excessivo e aposta em uma visão mais leve dos afetos.
Um dos maiores acertos do álbum está justamente em sua coerência. Em uma era em que muitos artistas parecem obcecados por criar conceitos grandiosos ou álbuns excessivamente complexos, Demi entrega um projeto que sabe exatamente o que quer ser. Não há a pretensão de reinventar o pop nem de lançar um manifesto geracional. O objetivo é claro: produzir músicas que façam o público se sentir bem. E nisso o álbum é extremamente eficiente.
Outro ponto que merece destaque é a performance vocal da cantora. Mesmo após quase duas décadas de carreira, Demi continua sendo uma das vocalistas mais impressionantes do pop contemporâneo. Sua voz carrega potência, técnica e personalidade suficientes para elevar faixas que, nas mãos de outros artistas, poderiam soar comuns. Em It’s Not That Deep, ela demonstra maturidade ao entender que não precisa provar seu talento a cada música. Quando decide brilhar, brilha. Quando a canção pede contenção, ela entrega exatamente isso.
A recepção da crítica especializada reforça essa percepção. O álbum conquistou avaliações positivas em veículos importantes e alcançou uma das melhores médias da carreira da cantora no Metacritic, sendo elogiado por sua autenticidade e pela capacidade de transformar felicidade em material artístico relevante. Publicações como The Independent e The Standard destacaram justamente a maneira como Demi consegue transmitir emoção sem depender exclusivamente de narrativas de sofrimento.
É verdade que o disco não possui a profundidade emocional de alguns de seus trabalhos anteriores. As letras são mais simples e menos confessionais, algo que parte dos ouvintes pode interpretar como uma limitação. No entanto, reduzir o álbum a essa característica seria ignorar sua principal proposta. It’s Not That Deep não tenta ser um relato de dor ou um exercício de introspecção. É um disco sobre liberdade, estabilidade e autoconfiança.
Talvez por isso ele funcione tão bem.
Em uma indústria que frequentemente transforma sofrimento em requisito para legitimidade artística, Demi Lovato faz o caminho oposto. Ela mostra que também existe valor em cantar sobre felicidade, amor e paz interior. E faz isso sem soar artificial ou desconectada da própria trajetória.
It’s Not That Deep provavelmente não será lembrado como o álbum mais revolucionário da carreira de Demi Lovato. Mas pode acabar sendo um dos mais importantes. Afinal, depois de tantos anos usando a música para enfrentar seus demônios, vê-la finalmente se divertir novamente é, por si só, uma conquista que merece ser celebrada.