“Friends” é uma série criada em 1994, por David Crane e Marta Kauffman, que conta com dez temporadas e segue sendo sucesso até os dias atuais. A obra se encaixa em uma “sitcom”: subgênero de série de comédia focado no cotidiano. Ao longo das temporadas, acompanhamos a rotina de seis personagens: Rachel, Monica, Phoebe, Joey, Chandler e Ross, que criam uma amizade enquanto enfrentam a vida adulta na cidade de Nova York.
A série foca na essência de um momento de transição da vida adulta, onde os amigos são a família que escolhemos. O ponto forte da produção, ao contrário do comum, não é baseado em reviravoltas, mas sim na maneira divertida como temas do cotidiano são tratados e na química do elenco, que criou uma amizade fora de cena. Cada personagem tem uma característica única que faz o espectador se encontrar e sentir parte daquele grupo. Rachel Green é o exemplo clássico de evolução da jovem mimada para uma mulher independente; Monica Geller é obcecada por controle e ama a culinária; Phoebe Buffay carrega a excentricidade e um coração bom; Joey Tribbiani é um ator amador, mulherengo e infantil; Chandler Bing é o dono das piadas autodepreciativas, usando o sarcasmo como defesa; e Ross Geller é o nerd romântico e neurótico.
O grupo se reúne todos os dias no café Central Perk, que se torna um ambiente familiar, acolhedor e uma das marcas da série. Outra característica da produção é que alguns objetos ficaram marcados como símbolo, por exemplo a moldura amarela que fica na porta do apartamento da Mônica, o sofá laranja do Central Perk e um peru de óculos que faz parte de uma cena de ação de graças. A questão é que a série se tornou tão icônica que até os pequenos detalhes ficaram famosos.
Porém, analisar essa obra implica um peso histórico, com perspectiva crítica e um contexto contemporâneo. A série carrega fortes marcas da década em que foi produzida. Algumas piadas e abordagens envolvem gordofobia, homofobia e transfobia, além da falta de diversidade étnica na cidade de Nova York, que é retratada como majoritariamente branca. Temas que são extremamente problemáticos para o público atual. Mas ainda assim, os deslizes da época não anulam o principal da narrativa que é o fortalecimento dos laços afetivos.
Sem dúvidas, Friends não é uma produção perfeita, mas seu grande sucesso é inegável. Apesar das piadas marcadas por uma época, a grandiosidade da série é atemporal. Um exemplo de como “Friends” é um case de sucesso até os dias atuais é uma declaração dada ao “The Times”, por Lisa Kudrow, que interpretava a personagem Phoebe Buffay, na qual ela revelou que cada um dos atores ainda recebe cerca de 20 milhões de dólares todos os anos.
O legado a ser passado pela série consegue ser cumprido apesar dos erros apontados. A música tema “I’ll be there for you” prova que a promessa continua sendo cumprida a cada episódio reprisado. No período da vida, retratado no seriado, onde a carreira é incerta e os relacionamentos são passageiros, os amigos tornam-se família. Friends permanece como uma produção nostálgica, leve e capaz de oferecer o aconchego que o espectador precisa após um dia difícil.