No começo de maio, o time do Barcelona foi às ruas comemorar o título da La Liga, conquistado no domingo após ganhar do seu maior rival, Real Madrid. Lamine Yamal, jovem de 18 anos e estrela do time, pediu uma bandeira da Palestina durante a celebração.
A atitude causou um grande burburinho nas redes sociais, mas não surpreende. Filho de Mounir Nasraoui, ativista marroquino, e de mãe guineense, Yamal carrega sua ancestralidade literalmente estampada em suas chuteiras através das bandeiras de ambos os países. Em março deste ano, o atleta já havia demonstrado sua postura ao rebater cânticos islamofóbicos durante um amistoso contra o Egito. No Instagram, afirmou que embora os ataques fossem direcionados à equipe rival, a falta de respeito era intolerável para ele enquanto muçulmano.
É de se admirar tamanha coragem em alguém tão jovem para pautar temas tão sensíveis. Enquanto no Brasil testemunhamos jogadores que, cada vez mais, se esquivam de responsabilidades sociais e políticas, Yamal utiliza sua visibilidade para dar voz a causas que vão além das quatro linhas.
O técnico do Barcelona Hansi Flick criticou a atitude de Lamine Yamal com o velho argumento de que não gosta de misturar esporte com política. Mas será que, em pleno, 2026, realmente tem gente que acredita que eles não podem ser e devem ser misturados? O que não faltam são exemplos de que os dois andam lado a lado.
Em 1970, o governo da Ditadura Militar do presidente Médici usou o tricampeonato mundial como ferramenta de propaganda política. Nos anos 80, liderado por Sócrates, o time do Corinthians desafiou essa mesma ditadura e criou o movimento Democracia Corinthiana, exigindo que a população tivesse o direito de votar. Em 1934, Benito Mussolini utilizou o mundial para promover o fascismo, com a seleção italiana pressionada para vencer sob risco de “represálias”. Até o uso de camisas de futebol pode ser político, como vimos no ano de 2022, onde a camisa da seleção brasileira se tornou um símbolo político da direita brasileira e era usada em protestos e manifestações.
Todos esses casos demonstram que, embora muita gente ainda defenda que não, o futebol ainda é palco para manifestações de poder e posicionamento social, e a influência de jogadores como Lamine Yamal ainda faz diferença.