A Universidade Federal de Uberlândia (UFU), continua enfrentando problemas estruturais. Dessa vez, esse cenário fica claro com o estado dos laboratórios utilizados pelo curso de física. Equipamentos velhos e peças faltando são algumas das queixas dos estudantes que utilizam os laboratórios de óptica e moderna. Aulas e programas de experimentos precisam ser reestruturados, já que os equipamentos não funcionam como deveriam.
Infelizmente, essa não é uma vivência somente da física. Cursos relacionados às agrárias têm equipamentos de práticas no campo quebrados, máquinas fotográficas do jornalismo são da década passada, projetores na maioria das salas não funcionam e turmas precisam ser realocadas. É difícil conhecer algum curso que não passa por algum desses problemas.
Muito se fala sobre o sucateamento das universidades públicas. No último mês, alunos da USP entraram em greve, e algumas das reivindicações tinham muito a ver com as condições da infraestrutura estudantil, desde os bandejões até as moradias estudantis. Ou seja, até a mais prestigiada das federais sofre com a má utilização das verbas. Na UFU, os cortes de gastos ficaram evidentes também na estrutura de segurança, o que gerou um episódio com grande repercussão.
Os orçamentos no investimento em infraestrutura e material permanente, continuam atingindo marcas negativas. Em 2016, por exemplo, a liquidação das instituições era de 6,7 bilhões em verbas. Em 2024, já tinha caído para 5 bilhões de reais, após se recuperar de uma queda maior para 3,5 bilhões em 2021.
As leis orçamentárias aprovadas no Congresso em 2023, 2024 e 2025 tiraram dinheiro da educação no país. Em 2024, os gastos com a construção de prédios e compra de equipamentos de laboratório chegaram a 162 milhões de reais, o segundo menor da série histórica, que começou em 2000 e teve seu recorde anterior em 2021, no período pós-pandemia. A Lei Orçamentária Anual para 2026 já estabeleceu um corte de 488 milhões em 69 importantes universidades federais.
Historicamente, as universidades sempre foram descredibilizadas. Desde o discurso anti-federais, até cortes de verba e o descumprimento de acordos de greve. As condições dos dispositivos disponíveis para utilização dos alunos e professores é só o começo do iceberg de problemas causados por esses fatores. Mas isso não significa que o corpo universitário deve se contentar com o básico. Ainda sim, as federais continuam a cair nos rankings mundiais, o que comprova esse cenário.