Após anos de discussão, a Síndrome do Ovário Policístico, também conhecida como SOP, mudou de nome. A alteração foi publicada no dia 12 de maio desse ano, na revista científica de medicina “The Lancet”.
A medida, que contou com o consenso de organizações científicas, profissionais e pesquisadores ao redor do mundo, reconheceu a necessidade de troca da nomenclatura: agora, a SOP passa a se chamar Síndrome Ovariana Metabólica Poliendrócrina (SOMP).
A mudança propõe discernir melhor esse diagnóstico clínico, que afeta principalmente mulheres em idade fértil, ou seja, aquelas que estão entre a puberdade e a menopausa.
Estima-se que a condição afete cerca de 5% a 10% das mulheres, o equivalente a 105 milhões de mulheres totais no mundo inteiro. Os sintomas envolvem alterações menstruais, obesidade, acne e infertilidade.
Durante décadas, o termo “ovário policístico” limitou a compreensão da síndrome aos aspectos estritamente

A “SOP” virou “SOMP” | Foto: D24AM/Reprodução
ginecológicos, especialmente à presença de cistos nos ovários, característica que hoje se sabe não estar presente em todas as pacientes.
Essa limitação se deve ao fato de que a SOMP ainda não foi muito bem compreendida e explicada pela medicina. Isso contribuiu para uma série de diagnósticos tardios (ou para a ausência deles), além de estimular a desinformação e a descrença sobre os reais impactos no organismo.
Essa lacuna do desconhecimento científico demonstra que a saúde ginecológica ainda é tratada com atraso e negligência. A insuficiência de pesquisas clínicas e de investimentos voltados exclusivamente às doenças do sistema reprodutor feminino causam consequências que não ficam retidas nos consultórios.
Nomear corretamente uma condição também é uma forma de garantir visibilidade, informação e cuidado adequado às mulheres que convivem diariamente com ela. A saúde ginecológica exige maior transparência e humanização.
