A Copa do Mundo de Clubes nos EUA: Futebol ou Mercado?

Arthur Martins –

Atleta francês do Paris Saint Germain, Zaïre-Emery com toalha na cabeça após o jogo contra o Atlético de Madrid | Foto: Getty Images


A Federação Internacional de Futebol Associação (FIFA) decidiu que a estreia do novo formato da Copa do Mundo de Clubes seria nos Estados Unidos. Uma escolha que, à primeira vista, parece lógica: um país com infraestrutura de sobra e um mercado promissor. Mas, ao olhar mais de perto, surgem questionamentos. Afinal, estamos falando de futebol ou de um grande evento de marketing?

Nos Estados Unidos, o futebol masculino é apenas uma sombra do que é em outras partes do mundo. A seleção nacional, por exemplo, não chega sequer perto de ser uma potência. O último pódio em Copas do Mundo foi em 1930 – há 95 anos, quando os estadunidenses ficaram em 3° lugar. Ademais, a Major League Soccer (MLS), liga nacional, ainda luta para conquistar relevância internacional. Enquanto isso, o futebol feminino americano brilha, com a seleção e a liga sendo expoentes globais. Mas no masculino, a história é bem diferente.

Além disso, o clima quente e as frequentes tempestades nos Estados Unidos têm causado sérios transtornos. Durante o Mundial de Clubes, seis jogos já foram paralisados devido a alertas de clima severo, com interrupções que chegaram a durar até duas horas. A FIFA, ao invés de repensar a escolha das sedes, parece mais preocupada em manter o cronograma e as receitas elevadíssimas do que em garantir a integridade das partidas, das equipes e do público presente fisicamente.

Aliás, no que concerne ao público, apesar da presença de clubes renomados, como Real Madrid, Bayern de Munique, Flamengo, Palmeiras, Internazionale de Milão e o atual campeão europeu Paris Saint Germain, as médias de público nos estádios não estão altas, de acordo com ranking feito pela CNN Brasil. Ciente da baixa procura por ingressos antes mesmo do início da competição, a FIFA havia reduzido os preços para a partida de abertura do Mundial, entre Inter Miami e Al-Ahly. Foi uma medida insuficiente, já que, por exemplo, o jogo entre Chelsea e Los Angeles FC atraiu apenas 22.137 espectadores para o Mercedes-Benz Stadium, que tem capacidade para mais de 70 mil pessoas. Isso levanta a questão: será que o futebol de clubes é realmente popular nos Estados Unidos?

A crítica não vem apenas dos torcedores. Enzo Maresca, técnico do Chelsea, expressou sua frustração com as constantes paralisações nos jogos. Após uma interrupção de duas horas durante a partida contra o Benfica, Maresca afirmou: “Para mim, pessoalmente, isso não é futebol. Já suspenderam sete, oito, nove partidas aqui. Acho que é uma piada, sinceramente”. Ele questionou a adequação dos Estados Unidos como sede para um torneio desse porte: “Posso entender por questões de segurança, mas se suspendem tantas partidas, provavelmente significa que este não é o lugar certo para realizar esta competição”.

Fica a reflexão: se a Copa do Mundo de Clubes está sendo realizada nos Estados Unidos, um país com pouca tradição no futebol masculino, só podemos esperar um “bis” do Mundial de Clubes na Copa do Mundo de Seleções de Futebol Masculino que acontecerá no próximo ano, também nos EUA, com acréscimo das sedes Canadá e México. Talvez a FIFA não esteja realmente comprometida com o crescimento e a valorização do futebol, e pode estar mais interessada em explorar mercados financeiramente promissores.

PS: Que este editorial não falte com respeito ao México, país tradicionalíssimo no futebol mundial.

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