
Caio Alves
Quando nos deparamos com um artista ou uma banda nova, é comum ficarmos
bastante tempo procurando uma música para escutar, diante da gama de opções que as
plataformas de streaming oferecem atualmente. O consumo musical contemporâneo
também é influenciado pelo bombardeio de informações advindas de mídias sociais
como Instagram, TikTok e X, que, na maioria do tempo, jorram conteúdos pouco
qualitativos em nossos cérebros. Uma vez que o algoritmo dessas redes privilegia
justamente tais informações, das quais quase não se tira proveito, e considerando que,
hoje em dia, é preciso estar conectado para ser visto, como os artistas que compõem
obras musicais as quais exigem mais atenção do ouvinte sobrevivem nessa conjuntura?
Na minha visão, não é com a ajuda da lógica algorítmica – aliás, ela mais os atrapalha.
No concernente à demora e indecisão no momento de escolher uma música nova
para escutar, em seu livro The Paradox of Choice: Why More is Less, de 2004, o
psicólogo americano Barry Schwartz argumenta que, quando temos opções variadas à
nossa disposição, menos satisfeitos nos sentimos com nossa decisão. Ou seja, não
importa qual música de uma playlist de 20 horas de duração o ouvinte escolha, sempre
haverá a sensação de que ele poderia ter selecionado uma faixa melhor.
Nesse sentido, argumentar-se-ia que as plataformas de streaming oferecem
liberdade total ao assinante. Entretanto, uma vez que as infinitas opções deixam o
indivíduo em dúvida do que ouvir, vejo que é propício para o algoritmo sugerir músicas
que estão em alta e são condizentes com o padrão imposto pela indústria cultural, em
detrimento da expressão musical que exige mais reflexão do ouvinte.
Também é relevante destacar o papel decisivo que as mídias sociais passaram a
ter no consumo musical, sobretudo o TikTok, uma plataforma voltada para vídeos
curtos. Um relatório divulgado pela própria empresa no início deste ano, em parceria
com a Luminate, denota que 84% de todas as músicas que entraram na Billboard Global
200 em 2024 “viralizaram” (isto é, tiveram um período de alto engajamento) no TikTok
antes. No entanto, considero questionável se tal estatística é um ponto positivo, tendo
em vista que o foco dessa mídia social não é fazer com que uma pessoa se aprofunde em
uma composição musical, mas mantê-la o maior tempo possível “rolando” a tela e
consumindo conteúdos que não necessariamente agregam conhecimento.
Acredito que a lógica por trás do algoritmo que dissemina as chamadas músicas
“virais” nas mídias sociais não contribui, de fato, para o consumidor compreender as
expressões musicais as quais exigem um foco maior do ouvinte, de modo que muitos
artistas não famosos desse ramo são marginalizados. Em uma realidade na qual se faz
cada vez mais necessário mostrar o próprio trabalho na internet para “estar vivo”,
musicistas e compositores são sufocados pelo algoritmo das mídias sociais.